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Ética Judaica

Herança Judaica - Devemos deserdar filhos rebeldes?

Se um filho não é uma honra para a família, é adequado retirá-lo do testamento ou deixá-lo com uma herança simbólica?

Em geral, a lei judaica desencoraja fortemente que um filho rebelde seja deserdado. Rabi Shmuel, o grande sábio do Talmud, aconselhou: "Não estejas entre estes que transferem seus legados, mesmo que seja de um filho mau para um bom" (1). Certamente, o dinheiro não deveria ser dado a quem dele fizesse um uso destrutivo ou autodestrutivo, mas mesmo que um filho não seja honra para a família, em geral é melhor tratá-lo do mesmo modo que os demais filhos.

O Talmud de Jerusalém (2) aplica um versículo enigmático do profeta Ezequiel para alguém que deserda um filho: "E estes [que morreram em batalha] não mentirão com o poderoso... quem desceu às profundezas com suas armas de guerra, suas espadas colocadas sob as cabeças, sua iniqüidade estará em seus ossos..." (Ezekiel 32:27).

Os comentaristas explicam que um soldado que sobreviveu a todas as batalhas e morreu de morte natural normalmente deve ser enterrado com a sua espada, para demonstrar que esta jamais o deixou e que ele nunca foi derrotado em guerra. Todavia, o profeta implica que isso é, na verdade, uma glória vazia; afinal de contas, o guerreiro vitorioso agora está enterrado na mesma terra que aqueles que foram derrotados! A estes "heróis" falta até mesmo a expiação de iniqüidade que foi obtida por quem sofreu em batalha.

Podemos entender a seguinte analogia: quando um pai reage a um mau comportamento do filho deserdando-o, é como uma declaração de que ele acertou as contas com este. O pai é como que enterrado com sua espada sob a cabeça, mostrando a todos que o mau comportamento do filho não levou vantagem sobre ele. O Talmud conta-nos que não é saudável nem para o que permanece vivo nem para o morto usar a partida deste mundo como uma ocasião para acerto de contas muito menos com nossos filhos.

Na maioria das vezes, a melhor política é deixar um exemplo de eqüidade e de generosidade. A última mensagem aos nossos filhos, mesmo aqueles cujo comportamento é uma decepção, deve ser positiva - dar ao filho um voto de confiança ao mostrar nossa convicção de que, após partirmos, ele saberá usar tanto aquilo que deixamos de material quanto de espiritual de uma maneira construtiva.

NOTAS
(1) Talmud da Babilônia, Baba Batra 133b.
(2) Talmud de Jerusalém, Baba Batra 8:6.

Nota importante: o tópico de herança judaica e validade halachica é muito complexo e completamente além do escopo desta coluna. Os comentários acima estão limitados a um tópico específico: reduzir os direitos legais de um(a) filho(a) somente devido ao seu comportamento.

O Judeu Ético Edição N.120 - 25 de agosto de 2003
Rabino Dr. Asher Meir
The Jewish Ethicist, um programa do Business Ethics Center of Jerusalem.
tradução: Uri Lam (M.A. em Filosofia) - 04 de julho de 2003.

Fonte: Business Ethics Center of Jerusalem
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