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23/Apr/2017
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Religião Judaica

Ética Judaica

Devemos contar a um comerciante incompetente por quê os fregueses permanecem distantes?

Evitar ou Advertir? Devemos contar a um comerciante incompetente porquê os fregueses permanecem distantes?

A loja de um comerciante em nossa vizinhança basicamente não é freqüentada por membros da nossa congregação devido a diversas experiências ruins que tiveram com seus serviços. É claro que ele notou este fato, mas sempre que pergunta a razão do por quê não freqüentamos, nós damos alguma desculpa. Deveríamos contar diretamente o que nos incomoda?

A lei judaica dá algumas diretrizes valiosas para sua situação. Por um lado, a Torá nos ordena orientar e advertir o próximo para ajudá-lo a melhorar. Por outro lado, esta lei é limitada por uma série de reservas que existem para supostamente evitar equívocos e ferir sentimentos.

A Torá nos conta que "Não odiarás a teu irmão em teu coração; repreenderás a teu companheiro, e não levarás sobre ti pecado" (Levítico 19:17). Este versículo nos diz que devemos nos esforçar por informar o próximo sobre como ele pode ser melhor; se não o fizermos, podemos acumular ressentimentos desnecessariamente e sustentar uma transgressão em relação a ele. Ao mesmo tempo, esta advertência pode não vir à custa de insultos, o que também seria uma transgressão, segundo as leis judaicas. O próximo versículo nos diz: "Ama o teu próximo como a ti mesmo"!

Em termos práticos, há três limitações quanto à mitzvá (mandamento) de advertir o próximo:

1. A advertência deve ser gentil. Ser áspero e rebaixar o outro com reprovações não é cumprir o mandamento.

2. A advertência só é uma mitzvá se for eficiente! O Talmud nos conta: "Assim como é uma mitsvá dizer algo que será ouvido, também é uma mitsvá não dizer algo que não será ouvido". Em geral, nossa tradição nos aconselha a evitar falas desnecessárias em geral; certamente não há nenhuma razão para ferir os sentimentos de alguém sem nenhuma vantagem prática. (1)

3. Mesmo quando advertir é apropriado, devemos nos conter se tememos ser agredidos injustamente como resultado de nossa reprovação. Sabemos que muitas pessoas têm uma tendência infeliz de matar o mensageiro que traz más notícias, e às vezes é necessário levar esta tendência em conta. (2)

Portanto, a resposta é muito simples: se você acha que este comerciante realmente será capaz de melhorar seu serviço se alguém expor as queixas contra ele, então certamente é apropriado explicar gentilmente a ele que a verdadeira razão é para diminuir a sua solidão comercial. Mas se você achar que é muito improvável que o comerciante fará qualquer mudança significativa, ou se há um temor de que ele reagirá de um modo desagradável ou vingativo em direção à pessoa que faz a advertência ou em direção à congregação como um todo, então não há nenhuma obrigação em fazê-lo.

FONTES:
(1) Talmud da Babilônia, Yevamot 65b.
(2) Shulchan Aruch, Yorê Deá 334:48 em Rema.

O Judeu Ético Edição N.114 - 24 de junho de 2003
Rabino Dr. Asher Meir
The Jewish Ethicist, um programa do Business Ethics Center of Jerusalem.
tradução: Uri Lam (M.A. em Filosofia) - 29 de maio de 2003.

Fonte: Business Ethics Center of Jerusalem
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