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29/May/2017
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Religião Judaica

Ética Judaica

Discriminação por idade - Às vezes, a idade faz diferença

Discriminar o trabalhador baseado na sua idade: é permitido?
Ao responder a esta pergunta, devemos distinguir entre a discriminação ao empregar novos trabalhadores e ao demitir os antigos.

Discriminação contra a contratação de trabalhadores mais velhos não é algo muito discutido nas fontes judaicas: não há uma proibição particular em se dar preferência a um indivíduo mais jovem se houver boas razões para isso. Todavia, deve-se ter em mente que a tradição judaica geralmente tem uma noção muito positiva das capacidades especiais das pessoas mais velhas. Como um todo, é muito realçado o crescimento da sabedoria com a idade, ao passo que a diminuição da força física não é vista como algo muito significativo.

Podemos apontar, por exemplo, a Mishná em Pirkê Avot que declara que, aos 30 anos, a pessoa atinge a sua força máxima; aos 40, o auge intelectual; aos 50 a pessoa obtém alcança o discernimento. A Mishná diz que somente aos 80 anos é que a pessoa pode alcançar o poder! Após esta idade as capacidades começam a se deteriorar: aos 90 a pessoa passa a se encurvar e aos 100 praticamente já está fora deste mundo (1).

Então, embora a lei judaica não proíba que se dê preferência a uma pessoa mais jovem se estivermos convencidos de que ela é a melhor para o trabalho, a tradição judaica deve nos levar a averiguar se os nossos estereótipos são justificados. Caso tomássemos outros parâmetros completamente diferentes, incluindo experiência, capacidade de discernimento e maturidade, chegaríamos à conclusão de que o candidato mais velho é melhor qualificado.

Quanto a trabalhadores mais velhos que já estão empregados, encontramos nas fontes judaicas uma orientação mais específica. Quando uma esposa herda dos seus pais escravos mais velhos, a Mishná declara que, em geral, a coisa economicamente mais prudente a ser feita seria vendê-los e comprar algum outro ativo, como terra, por exemplo. Entretanto, Raban Shimon ben Gamliel determinou que, mesmo que esta seja a escolha economicamente mais favorável, é melhor evitar perder estes trabalhadores fiéis, pois são "a glória da casa do teu pai" (2).

Podemos aprender disso que um trabalhador mais velho que serviu fielmente a uma empresa por tantos anos é a honra da organização; só com muita relutância se pode deixar sair esta pessoa.

Conta-se que, na geração passada, a administração da Yeshivá Tiferet Yerushaláim de Nova York considerou necessário, para contenção de despesas, despedir um zelador mais velho que havia trabalhado lá por muitos anos. O presidente da yeshivá, o grande líder judeu, rabino Moshe Feinstein, disse à administração que eles deveriam manter este homem apesar da sua idade avançada e do orçamento limitado da yeshivá, em reconhecimento por seu longo período de serviços prestados à escola. Isso é um modelo que outras organizações devem se esforçar para copiar sempre que possível.

FONTES
(1) Mishná Avot 5:21.
(2) Talmud da Babilônia Ketubot 79b.

O Judeu Ético Edição N.119 - 29 de julho de 2003
Rabino Dr. Asher Meir
The Jewish Ethicist, um programa do Business Ethics Center of Jerusalem.
tradução: Uri Lam (M.A. em Filosofia) - 04 de julho de 2003.

Fonte: Business Ethics Center of Jerusalem
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