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29/Jun/2017
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Religião Judaica

Ética Judaica

Roubando clientes: O que é considerado pelos clientes como uma concorrência ética?

Em nossa pequena comunidade, há um negócio estabelecido que atende aos moradores há anos. Recentemente, abriu um concorrente que está buscando convencer os clientes a usarem os seus serviços em vez do tradicional. Isso é ético?

A lei judaica tem uma grande tradição a respeito de competição ética por clientes. Vamos examinar algumas das principais conclusões da nossa tradição:

1. Sendo os produtos iguais, devemos nos esforçar por evitar uma competição que possa prejudicar significativamente o sustento do outro. Em geral, uma pessoa reflete bastante e com muito cuidado antes de entrar para um tipo de negócio que promete lucros; por quê não dedicar umas poucas horas extras de reflexão para ver se você pode encontrar um negócio que não irá tomar o sustento de outro?

Se todos pensassem assim, teríamos idéias mais criativas para novos produtos e serviços, e menos deslocamento econômico. Todavia, mais importante do que o impacto econômico é o elemento humano: demonstrar consideração por nossos vizinhos.

Sendo realistas, nem sempre é possível ganhar a vida sem apertar o calo de outros. Por isso, a lei judaica não proíbe a competição com um negócio já existente, mesmo que o concorrente possa fazer estragos na clientela estabelecida do outro negócio. Entretanto, há alguns princípios para a concorrência ética.

2. A lei judaica sanciona uma competição construtiva, e não destrutiva. Por isso, é anti-ético empregar meios cuja intenção seja prejudicar o concorrente, em vez de atrair um negócio legítimo. Isso inclui o uso de preços predatórios ou agir para bloquear o acesso dos clientes à empresa concorrente.

3. É impróprio usar os esforços do concorrente em seu prejuízo. Por exemplo, é proibido entrar na loja do concorrente para buscar clientes! Uma variante moderna seria utilizar a própria lista de clientes do concorrente como base para tirar pedidos. Outro exemplo dado pela lei judaica é utilizar os esforços criativos de alguém em seu prejuízo, como por exemplo ao roubar um processo inventivo e copiá-lo. Atualmente, estes assuntos são regulamentados por lei de propriedade intelectual, que inclui patentes, marcas e direitos autorais. Estes devem ser respeitados.

4. A competição deve existir para um novo negócio. Em geral, é antiético tentar convencer clientes de outros a cancelarem contratos já existentes. Se os clientes vêm até você e decidem, por sua própria iniciativa, que querem encerrar seus acordos atuais (de uma maneira permitida) isso não é problema seu, mas não é bonito estimular as pessoas a quebrarem seus acordos. Também é adequado considerar o âmbito do impacto. Se uma nova empresa for capaz de ter uma atividade respeitável e a empresa já existente continuar a existir,o problema é relativamente pequeno. No entanto, o senso comum e as percepções éticas concordam que é melhor não competir se o resultado final for uma competição predatória, que traga lucros pífios para ambos, tanto a nova empresa quanto a antiga.

Vamos aplicar estas reflexões à sua pergunta. Antes de mais nada, esperamos que o novo concorrente tenha considerado outras possibilidades antes de se decidir por passar a tentar atrair clientes que, atualmente, estão felizes com a empresa existente. A próxima coisa a se considerar é que as persuasões oferecidas aos clientes devem envolver benefícios substantivos e sustentáveis, se comparados ao serviço atual. Também é inteiramente antiético obter nomes de potenciais clientes das listas confidenciais do fornecedor atual. Finalmente, sob solicitação direta, a nova empresa deve se oferecer para cuidar dos novos negócios dos clientes, e não encorajá-los a cancelar seus acordos anteriores com a empresa atual.

A lei judaica reconhece que a competição por clientes é um incentivo valioso para as empresas proporcionarem um serviço melhor a preços mais baixos. No entanto, como qualquer fenômeno benéfico, o benefício máximo da concorrência é quando este é realizado dentro do limites éticos e racionais.

FONTE
Pitchê Choshen Guenevá Capítulo 9, baseado principalmente no Shulchan Aruch Choshen Mishpat 156 e 386.

O Judeu Ético Edição N.126 ? 17 de setembro de 2003
Rabino Dr. Asher Meir
The Jewish Ethicist, um programa do Business Ethics Center of Jerusalem.

Tradução: Uri Lam (M.A. em Filosofia) ? 17 de setembro de 2003.

Fonte: Business Ethics Center of Jerusalem
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