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24/Jun/2017
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Devo contar a uma velha amiga que nós não temos mais absolutamente nada em comum?

Crescer em separado - Devo contar a uma velha amiga que nós não temos mais absolutamente nada em comum?

Pergunta: Sou uma pessoa mais velha, com uma amiga de longa data que eu simplesmente não sinto mais prazer em visitar. Estou sempre inventando desculpas para ela do porquê não posso visitá-la, dizendo que estou muito ocupado, e então me sinto terrivelmente culpado. Não seria melhor apenas dizer-lhe honestamente como eu me sinto?

É triste quando velhos amigos são colocados de lado, mas isto também é muito natural. Continuamos a crescer e a nos desenvolver por toda a vida e, às vezes, as pessoas simplesmente crescem em separado.

Todavia, não podemos negar que este processo pode ser muito traumático para algumas pessoas. Embora ser honesto e aberto possa parecer o modo mais ético de ação, não é nenhuma coincidência que, às vezes, nos referimos a alguém como sendo "honesto até demais". Nossos Sábios indicam que até mesmo o Santíssimo, bendito seja, é sensível à sinceridade excessiva; quando Sara expressou surpresa quando soube que teria um filho, dado que "meu senhor é velho" (Gênesis 18:12), D'us disse a Abrahão: "Por que se riu Sara dizendo:' Como é verdade que darei à luz, se eu envelheci?'" (Gênesis 18:13).

Portanto, apenas contar como você se sente neste caso provavelmente não é a melhor solução; até mesmo afastar sua amiga como você está fazendo agora é melhor do que se abrir totalmente. O fato é que você provavelmente está muito ocupado e, pelo menos, há este elemento de verdade em sua desculpa. E você tem evitado fazer uma declaração pouco diplomática e muito direta, o que poderia ser muito traumático para sua velha amiga.

Além disso, temos que ser sensíveis também à sua angústia. Você sente que está colocando uma velha amizade em uma armadilha, uma espécie de charada contínua. Você precisa encontrar algum tipo de solução para isso.

Uma coisa que eu posso recomendar é que, embora não deva ser tão aberto com sua velha amiga, você deve ser honesto consigo mesmo: a real razão pela qual visita esta pessoa não é por amizade, mas porque você acha que tem obrigação em visitá-la. Essa é a razão pela qual você se sente culpado a respeito das suas desculpas. Uma estratégia que pode ser muito útil nestes casos é fazer uma "interrupção" psicológica e decidir que o tempo que você passa visitando sua amiga não é um "tempo de amizade"; é um "tempo de chéssed" - tempo dedicado a atos de bondade ao próximo.

Talvez você possa dar algumas horas por mês para dedicar-se a chéssed, tal como visitar um "lar dos velhos" ou um hospital, ou ser voluntário em um bazar de caridade. As visitas à sua velha amiga também são um ato muito especial de bondade e amor que ela aprecia, contanto que sejam feitas de boa vontade e com amor. Decida quanto tempo você pode dedicar de todo o coração a este chéssed em particular - se uma tarde por semana ou um telefonema por mês. Então faça o seu melhor. Talvez você queira até contar o plano à sua amiga, como por exemplo: "Sophie, eu sei que tenho passado pouco tempo com você ultimamente; tentarei almoçar com você pelo menos duas vezes ao mês".

Esta abordagem pode ser de muita ajuda tanto para você como para sua amiga:

- Pode ser muito bom para você porque, em vez de sentir-se em uma armadilha, você tomará o controle da situação: você está decidindo voluntariamente quanto tempo pode dedicar à sua conhecida de longa data; ao invés de sentir que vive uma mentira, você estará sendo completamente honesto consigo mesmo: esta é uma atividade na qual eu me empenho para ajudar os outros.

- Pode ser de ajuda para sua amiga porque ela não pode ajudar, mas pode estar ciente da diferença entre tempo passado de boa vontade e tempo gasto de má vontade. Uma pequena parcela de tempo passada de todo o coração faz mais sentido para o outro do que um longo tempo passado com impaciência!

O Talmud conta a história de um sábio famoso, Rav Pereida, que orientava habitualmente um aluno muito lento. Este estudante não conseguia absorver o material a menos que o revisasse com seu professor por quatrocentas vezes. Embora geralmente o Rav Pereida fosse paciente com este aluno, certa vez o sábio ficou ansioso para acabar a aula, de modo que pudesse cumprir uma importante mitsvá. Aliás, desta vez, apesar das quatrocentas revisões, o aluno não havia aprendido sua lição!

Quando Rav Pereida perguntou o por quê, o jovem respondeu: "Todo o tempo em que eu estava concentrado, a todo instante o professor estava para sair!" Como resultado, todas as revisões eram feitas sem a concentração e a serenidade adequadas. Rav Pereida teve que voltar e revisar a lição outras quatrocentas vezes - desta vez pacientemente e com êxito.

Geralmente, A lei e a tradição judaicas enfatizam de forma consistente a importância decisiva de que a ajuda aos outros deve sempre ser feita de boa vontade, intencionalmente. Nossos Sábios contam-nos que se uma pessoa dá caridade de má vontade, ela perde sua recompensa. Dar aos outros um pouco do nosso tempo ou dinheiro, ambos com generosidade e alegria, exige que se encontre o equilíbrio ideal entre melhorar nossa atitude e adequar nossos compromissos à nossa capacidade.

FONTES: Talmud da Babilônia, Ievamot 65b, Eruvin 54b. Shulchan Aruch Iorê Deá 249:3. Veja também Ahavát Chéssed 2:20; Igrot Moshé EHE 4:26

O Judeu Ético Edição N.110 - 27 de maio de 2003
Rabino Dr. Asher Meir
The Jewish Ethicist, um programa do Business Ethics Center of Jerusalem.
tradução: Uri Lam (M.A. em Filosofia) - 29 de maio de 2003.

Fonte: Business Ethics Center of Jerusalem
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