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28/Jun/2017
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Religião Judaica

Ética Judaica

O envio de spams viola a ética judaica?

Q. Minha firma oferece um produto único que poderia ser de interesse de muitos indivíduos. Alguém se ofereceu para fazer divulgação dele através de 'spam' para milhões de pessoas. Posso aceitar esta oferta?

A. Em princípio, a tradição judaica não vê com desdém a promoção. É legítimo que um vendedor tente fazer seu produto conhecido para potenciais compradores, e informá-los dos benefícios de suas mercadorias. Por exemplo, a Mishná expressa que um proprietário de loja pode dar presentes gratuitos aos compradores para induzí-los a vir a sua loja. (1) E nossos sábios antigos tomavam medidas especiais para encorajar vendedores de porta-em-porta que vendiam produtos importantes, como cosméticos, que não estavam disponíveis nas lojas. (2)

Entretanto, devemos cuidar para que a vender não se torne uma importunação. Podemos aprender este princípio de duas leis do comércio, relativas a compradores, e aplicá-las para os vendedores também.

A Mishná expressa que um comprador não deveria gastar o tempo do vendedor fingindo interesse numa compra. (3) Isto é considerado uma violação da proibição da Torá de causar tormento gratuito aos outros. O vendedor devota sua energia ao cliente acreditando que está tendo uma chance justa de fazer uma venda; se na verdade o 'cliente' não tem interesse, então está abusando do vendedor. O cliente deveria se utilizar do tempo do vendedor somente se ele tem um mínimo interesse em comprar.

Da mesma forma, um vendedor não deveria desperdiçar um tempo do comprador com ofertas que ele não tenha base para pensar que o cliente possa ter interesse. Deveria haver alguma base racional para assumir que os que recebem o e-mail (ou junk mail) devem ter algum interesse em seu produto ou serviço. De outra forma, você está abusando do recipiente.

Há outra lei complementar que oferece uma percepção complementar. Um dos Dez Mandamentos é "Não cobiçarás" os pertences do próximo (Exodus 20:14). Mas devemos admitir que dar uma definição simples e precisa para "cobiça" não é fácil. Nossa tradição nos diz que a linha divisória é ultrapassada quando nosso desejo é tão grande que tentamos convencer o proprietário a nos vender uma possessão pessoal da qual ele na verdade não tinha interesse em se desfazer. (4) Uma maneira tão invasiva é, novamente, apenas uma forma de constrangimento.

Esta lei também pode ser extrapolada do vendedor para o vendedor. Alguém que tenta convencer outra pessoa a comprar um produto pelo qual este não mostrou interesse, está causando exatamente o mesmo tipo de constrangimento. (5) Isso é completamente diferente de um vendedor tentando convencer um cliente que intencionalmente tenha vindo à loja ou que tenha concordado em ouvir o discurso do vendedor.

É difícil apresentar uma clara definição de quando marketing direcionado se torna spam. Mas as duas fontes da lei judaica podem ajudar a criar um contexto. Em ambos os casos, o critério que torna o método permissível é não o desejo de fazer um negócio per se, mas sim a existência de interesse básico. Um cliente que tem algum interesse em fazer uma compra não está desperdiçando o tempo do vendedor, e uma pessoa que expressou um possível interesse em vender sua propriedade pode ser abordada por alguém com uma oferta interessante.

Da mesma maneira, um recipiente considera um e-mail como "spam" não porque ele não quer comprar o produto, mas sim pois ele não está interessado nem em saber sobre o produto. Não é apenas um desperdício do seu tempo ler a mensagem; até mesmo ter que apagar a mensagem é uma perda de tempo.

Baseando-se neste critério, a postagem em massa seria problemática se é para algo que relativamente poucas pessoas estão interessadas em saber, e nenhum esforço é feito para atingir especificamente os indivíduos que expressariam interesse.

Nem precisa dizer que a mensagem não deve ser fraudulenta ou enganadora, levando o recipiente a lê-la camuflando seu conteúdo com algo que seja de assunto do recipiente, como comunicação pessoal ou de negócios, recebimento de prêmios, etc... Isto viola a proibição de "geneivat daat" ou, levar os outros para o caminho errado.

Também não é necessário frizar que a correspondência não deve violar a lei. Frequentemente intemediários usam técnicas ilegais para burlar esforços anti-spam de provedores de serviço na Internet. Por exemplo, usam um falso endereço de retorno. Quando você usa estes serviços como agentes, a lei judaica o vê como cúmplice do crime.

Correspondência direcionada são uma técnica legítima de venda, de acordo com os princípios do judaísmo. Mas estas mensagens se transformam em contrangimento anti-ético quando nenhum esforço é feito para direcioná-las a indivíduos que sabidamente possam ter interesse em seu produto, se a mensagem engana o recipiente, ou ainda se utilizar-se de meios ilegais.

Fontes:
(1) Mishna end of fourth chapter of Bava Metzia. (2) Bava Batra 22a. (3) Mishna end of fourth chapter of Bava Metzia. (4) Mechilta on Exodus 20:14. (5) Pitchei Choshen Geneiva 30:(26)

O Judeu Ético
The Jewish Ethicist, um programa do Business Ethics Center of Jerusalem.

Fonte: Business Ethics Center of Jerusalem
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