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01/May/2017
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Religião Judaica

Ética Judaica

Será que é ético ganhar dinheiro sem produzir nada?

Pergunta: Algumas pessoas ganham muito dinheiro com a especulação. É realmente ético ganhar dinheiro sem produzir nada, somente adivinhando como os preços das coisas evoluem?

Fundamentalmente, especular é uma atividade economicamente produtiva. Mas não há dúvidas de que apresenta alguns desafios éticos.

A importância econômica da especulação é que esta encoraja a alocação eficiente de recursos. Quando especuladores acumulam um bem ao anteciparem que haverá uma futura falta deste no mercado, o resultado é que, quando houver de fato este déficit no estoque, haverá então reservas adequadas. Na estrutura dos mercados competitivos modernos, a especulação contribui para a exploração eficiente de recursos escassos.

Dada esta função econômica óbvia, pode parecer surpreendente que os Sábios do Talmud tenham olhado com desconfiança para este fenômeno e o tenham sujeitado a diversas restrições. Uma razão óbvia para estas restrições é econômica: enquanto a especulação é eficiente em mercados competitivos, caso os especuladores façam um acordo entre eles, poderão criar uma falta artificial de dado produto. Neste caso, a especulação é extremamente danosa; ao invés de aliviar a fome, ela criará fome!

Mas há também outra razão mais profunda para estas leis. Um princípio básico dos regulamentos de mercado na lei judaica é que as considerações econômicas não estão em primeiro lugar nos pensamentos de nossos Sábios. Em geral, eles tratam primeiro das considerações humanas. Este princípio se aplica às restrições de armazenagem, como podemos ver desde a fonte dos regulamentos.

O Talmud baseia esta proibição na seguinte passagem do profeta Amós (8:4-6): "Ouve isto, você que iria engolir o necessitado e destruir os miseráveis da terra; quando diz: 'Quando o mês passará, de modo que possamos vender os grãos? E o Ano Sabático, de modo que possamos abrir nossos celeiros de grãos? (...) Assim podemos comprar o pobre por dinheiro e o necessitado por um par de sapatos'".

Podemos ver que a base desta proibição não é econômica. O que interessava aos Sábios não eram as conseqüências econômicas da armazenagem, mas as trágicas conseqüências humanas: o resultado disso é que a solidariedade da sociedade é destruída. Os especuladores, em vez de colaborarem para o alivio do interesse comum, agora têm um interesse particular na angústia continuada, que os enriquecerá. Eles perguntam: "Quando o mês passará?" Rashi explica que eles não podem esperar a estação da colheita passar, quando haverá uma falta de grãos no mercado e os preços se elevarão.

Além do mais, estes indivíduos ficam tentados a ir além em seu desejo de enriquecimento monetário - que está dentro de certos limites - e procuram dominar os outros: "De modo que possamos comprar o pobre por dinheiro". Esta é uma tendência que a Torá sistematicamente condena, pois todos nós somos servos de D'us. "Porque Meus servos são eles (...)" (Levítico 25:42) - escravos Dele, não escravos de outros seres humanos.

É uma idéia humana básica que nós devemos tentar aliar nossos interesses econômicos e humanos de um modo que não sejamos levados por nossos desejos de ganho e venhamos a trair nossos ideais. Podemos ilustrar este conceito com um exemplo simples: imagine um jogador de um time de futebol pouco antes da Grande Final. Se o seu time ganhar, ele ganhará uma enorme soma em dinheiro; se perder, a soma será bem menor. As teorias econômicas defendem que, a fim de diminuir seus riscos, o jogador deveria apostar contra seu próprio time. Mas a natureza humana veria esta atitude como uma deslealdade chocante, mesmo que a aposta fosse suficientemente pequena, de forma que não criasse nenhum incentivo que influenciasse no resultado da partida.

Do mesmo modo, nossos Sábios preocuparam-se que um tipo particular de especulação - apostar no desastre - pois esta poderia ter um efeito negativo na solidariedade em nossa sociedade.

Em suma: a maioria dos tipos de especulação não é regulamentada pela lei judaica e são consideradas perfeitamente adequadas. No entanto, o indivíduo que atua como especulador deveria, de tempos em tempos, examinar seus investimentos para ter certeza de que não criou uma situação onde ele "está apostando contra o próprio time" e, sutilmente, afastando-se da comunidade.

Fontes
Talmud da Babilônia, Baba Batra 90b; Kidushin 22b.

O Judeu Ético
Edição N. 108
Centro de Ética nos Negócios de Jerusalém

A Especulação
Rabino Dr. Asher Meir (12 de maio de 2003)
Tradução: Uri Lam

Fonte: Business Ethics Center of Jerusalem
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