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29/Jun/2017
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Festas Judaicas (Chaguim)

Simchat Torá

A Festa de Simchat Torá

Em algum ponto após o século XII, Shmini Atzeret também passou a ser conhecido como Simchat Torá, "a alegria da Torá". Na Diáspora, este nome foi dado somente ao segundo dia de Shmini Atzeret.

A Base

Apesar de o nome não ser conhecido no período talmúdico, a prática de ler o último capítulo da Torá, Deuteronômio 33-34, neste dia, foi definida pelo Talmud. Desta prática, gradualmente, surgiu uma tradição de uma celebração especial e alegre para marcar o término da leitura da Torá.

A base para tal celebração encontra-se no Midrash que descrevia Salomão como tendo feito um banquete especial depois que foi presenteado com sua sabedoria. Disse Rabi Eleazar:

"Daí podemos deduzir que fazemos uma festa para marcar a conclusão da Torá, pois quando D'us disse a Salomão: 'Eu te dei um coração sábio e compreensivo como não dei a ninguém antes ou depois de você...' e ele imediartamente fez uma festa para todos os seus súditos para celebrar o evento, é apenas adequado fazer um banquete e celebrar o término da Torá."

O Desenvolvimento

Enquanto a tradição de alegria adicional neste última dia do feriado de Sucot em homenagem ao término da leitura da Torá começou durante o nono e décimo séculos da era comum, no tempo dos Geonim, o nome Simchat Torá passou a ser usado ainda mais tarde.

O costume de ler a última porção da Torá foi definido pelo Talmud, mas a leitura do primeiro capítulo do Gênesis não foi introduzida em Simchat Torá até algum tempo depois do século XII. As razões para esta leitura adicional foram:

1) para indicar que "assim como éramos privilegiados por assistir o término da leitura, deveríamos também ser privilegiados por testemunhar o início";

2) para prevenir o Satã de acusar Israel de que eles estavam felizes por terminar a Torá (no sentido de se livrar dela) e não se preocupavam em continuar a lê-la.

Inicialmente era costume que a mesma pessoa que completava a leitura do Deuteronômio lia a o capítulo do Gênesis de cor, sem ler do Rolo da Torá, considerando que "dois rolos não podem ser levados pelo mesmo leitor."

Eventualmente, a prática se desenvolveu e passou a chamar-se duas pessoas diferentes, uma para a leitura da última porção do Deuteronômio, e outra para a primeira porção do Gênesis, e dois rolos distintos passaram a ser usados.

A Honra

Cada uma desta aliot (chamadas à leitura da Torá) passou a ser vista como uma grande honra.

As pessoas honradas com as leituras são chamadas Chatanim, noivos (da Lei). Aquele que preside o término do Deuteronômio é chamado de Chatan Torá (noivo da Torá), e o que preside o início do Gênesis é chamado de Chatan Bereshit (noivo do Genêsis).

Passou a ser costume que homens tão honrados oferecessem uma refeição festiva neste dia. Hoje em dia, estas pessoas honradas usualmente oferecem um Kidush após o serviço religioso.

Hacafot

O costume ritual mais proximamente associado a Simchat Torá é o das hacafot. Hacafot é o termo usado para designar as voltas com a Torá, tanto na sinagoga quanto em outros locais.

Em Simchat Torá, todos os rolos da Torá são removidos da Arca Sagrada, e carregados ao redor da plataforma central, em sete hacafot. Isto acontece durante o serviço noturno, e também antes das leituras dos dois rolos da Torá (descritas acima) durante o serviço matutino. A prática chassídica na diáspora é de conduzir hacafot também no serviço vespertino do primeiro dia de Shmini Atzeret, assim como em Israel.

Origens

Apesar de o costume das hacafot em Simchat Torá ser relativamente tardio, datando de cerca do terceiro terço do século XVI (na cidade de Safed), a prática das hacafot data de bem antes.

Circuitos de procissão são pela primeira vez mencionados na Bíblia como um preparo para a queda das muralhas de Jericó. Houve sete voltas em torno da cidade; uma vez por dia durante seis dias, e sete vezes no sétimo dia.

O lulav (e as aravot também) eram carregados ao redor do altar do Templo durante os sete dias de Sucot; uma vez por dia durante os seis primeiros dias, e sete vezes no sétimo dia. Daí se desenvolveu o costume das hacafot ao redor da sinagoga com o lulav e o etrog.

Na cerimônias tradicionais de casamento judaico o costume das hacafot também pode ser visto, quando a noiva anda em círculos ao redor do noivo no início da cerimônia, usualmente completando sete voltas.

Estes três circuitos (costume persa) podem ser considerados símbolos da passagem de três partes do Livro dos Profetas que descrevem a relação de Israel com D'us em termos de noivado idílico e casamento:

- e contratarei contigo uma aliança eterna;
- e contratarei contigo uma aliança baseada em virtude, justiça, benevolência e misericórida;
- e contratarei contigo uma aliança fiel, e conhecerás assim o Eterno.
(ver também a reza matutina diária ao se por o tefilin).

Música e Dança no Circuito

Além das passagens prescritas, é comum que a congregação se junte para cantar várias outras músicas, geralmente versos da Torá ou do sidur que foram musicados.

Também é prática nas congregações mais tradicionais que os presentes unam-se à roda e dancem entre cada volta. Os que estão carregando os rolos da Torá também entram na dança.

Nas yeshivot, escolas de estudos judaicos, e nas congregações onde a juventude tradicional predomina, a cantoria e dança que acompanham as hacafot podem durar por muitas horas. Muitas vezes são continuadas para o lado de fora da sinagoga, oferecendo cenas de alegria e extase.

Crianças pequenas geralmente recebem bandeiras decorativas, ou rolos da Torá em miniatura para seguirem os rolos da Torá nas procissões.

Benção Especial para as Crianças

Além de serem envolvidas nas hacafot com a Torá, também se tornou costumeiro incluí-las na leitura da Torá que se segue.

Apesar de uma criança menor de 13 anos não ser usualmente chamada à Torá para uma aliá, em Simchat Torá desenvolveu-se o costume de col hanearim (todas as crianças), que se refere ao fato de que todas as crianças da coletividade são chamadas coletivamente e recebem o direito de uma aliá conjunta.

Um talit é colocado sobre as cabeças de todo o grupo e as bençãos, lideradas por um adulto, são recitadas.

Na conclusão da leitura, a congregação invoca a benção de Yaacov sobre Efraim e Menashé, como benção especial para as crianças.

"Possa o Anjo que me redimiu de todo mal abençoar as crianças. Possa meu nome neles ser lembrado, e os nomes de meus pais, Avraham e Yitzchak..."

Simchat Torá em Israel

Em Jerusalém, é costume em Simchat Torá que algumas congregações se juntem numa celebração em massa, em procissão pela cidade até o Muro das Lamentações.

Guiados pelos rolos da Torá carregados sob tendas (chupá), milhares de pessoas, jovens e idosos, de todas as idades, dançam e cantam no caminho para o Muro, numa procissão que se extende por tão longe quanto os olhos possam enxergar.

O costume original de realizar as hacafot na conclusão de Simchat Torá inspirou o costume em Israel de continuar as celebrações da festa também na noite após o dia santo. Celebrações públicas com bandas e músicas apresentando as hacafot, com músicas e dança são realizadas.

Em Jerusalém, em praça pública, é costume os rabinos-chefes e altos membros do governo participarem das celebrações. São apresentadas práticas das diferentes comunidades judaicas: chassídicos, yemenitas, bukharan, israelense, etc... Cada grupo é responsável por uma das hacafot, fazendo com suas roupas e melodias típicas.

Em certa época, este também era o momento de identificação dos judeus soviéticos, com extensas celebrações em Moscou, Leningrado e outras grandes cidades nesta data.

Hacafot também são realizadas nas bases militares do exército israelense, e mesmo homens em posições de combate no fronte costumam participar nos períodos mais quietos. No meio da Guerra de Iom Kipur, que durou até depois de Sucot, a televisão gravou cenas do Rabino Chefe de Israel, Shlomo Goren, visitando postos avançados do exército, levando consigo um pequeno rolo da Torá, e homens juntando-se a ele com danças tradicionais com a Torá.

Fonte: The Department for Jewish Zionist Education
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