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28/Apr/2017
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Festas Judaicas (Chaguim)

Purim

Anti-semitismo e a Meguilat Ester

De certa forma, o exílio babilônico foi extremamente traumático para o povo Judeu. Ninguém em Jerusalém acreditara que o Templo seria destruído e que Jerusalém cairia em mãos inimigas. "Os reis da terra, e todos os habitantes do mundo, não teriam acreditado que o adversário e o inimigo poderiam entrar pelos portões de Jerusalém" (Eicha 4:12). Inocentemente, as pessoas acreditaram que se rezassem pelo Templo, nenhum mal lhes aconteceria. Quando Jerusalém foi destruída e o Reino de Judá exilado, o povo inicialmente se desesperou.

Entretanto, o exílio babilônico também marcou uma grande mudança na história judaica. Os exílados de Jerusalém e do Reino de Judá não abandonaram sua dedicação a D'us, até mesmo quando permaneceram na Babilônia, um país de idolátras por excelência. Neste exílio, começaram a acreditar que Israel era um povo eterno, um povo que retornaria à sua antiga pátria, um povo cuja existência eterna estava garantida acima de todas as forças naturais, o sol e a lua. (Jeremias, capítulos 31, 33, Isaias capítulo 60).

O Livro de Ester é uma narrativa histórica que conta como uma força sobrenatural protege a existência de Israel. O narrador e os leitores da Meguilá não têm nenhuma dúvida que o alívio e a salvação virão ao Povo Judeu de uma forma ou outra. Também não há nenhuma dúvida na mente de todos que, se Mordechai é Judeu, qualquer vilão adversário tombará ante seu poder. Além disso, o narrador acredita que a história do Livro de Ester e de Purim serviu como um fator religioso e psicológico inspirador de otimismo e esperança, na existência do povo Judeu, ao longo do seu exílio.

Entretanto o Livro de Ester era uma história clássica, usada por anti-semitas em toda geração para atacar, demonizar e condenar o Povo Judeu. O medo do anti-semitismo foi mencionado na Guemará. "Ester disse aos Sábios: Estabeleçam este feriado para sempre. Eles lhe disseram: você fará com que outros povos se virem contra nós". Rashi explica: porque nós alegramos da sua derrota. (Tratado da Meguilá página 7a).

Um anti-semita que usou o Livro de Ester como base para o anti-semitismo foi o reformador religioso alemão, Martinho Lutero, nascido há 500 anos. Em sua tradução, introduziu anti-semitismo nas entrelinhas, mostrando Ester como o típico Judeu desprezível, ansioso para derramar o sangue pagão. Lutero aconselha ao cristão que não entre em discussões com osJudeus, mas dizer-lhes: Você sabe, Judeu, foram destruídos Jerusalém e seu reino, junto com o Templo e o sacerdócio, mais de mil anos atrás?.. O exílio mostra que D'us não é seu D'us e os Judeus não são seu povo escolhido... Com a destruição de Jerusalém D'us, já demonstrou que os méritos dos Patriarcas não os salvaram. (Yehezkel Kaufman, "Gole Venechar", vol. 1, pág. 299).

O argumento principal usado pelos anti-semitas Cristãos era que o exílio é eterno.

Deve se notar que Lutero não entendeu o conteúdo exato do Livro de Ester. Realmente, nem todos os frequentadores das sinagogas entendem que o decreto de aniquilação não foi eliminado como Ester pediu. O Rei Achashverosh nada mais fez do que emitir um édito que selou com seu anel, concedendo a permissão aos Judeus para se defender.

Em verdade, uma batalha ocorreu entre os Judeus e seus inimigos. O autor da Meguilá foi subjugado assim pela força do milagre, sobretudo que os Judeus tiveram sucesso ao vencer o inimigo, que ele não achou necessário contar que houve uma batalha feroz entre os dois acampamentos - e pode se assumir que também houve algumas vítimas judias. O narrador está particularmente interessado com a contagem das vítimas inimigas dos Judeus. Em todos os países do império de Achashverosh, a batalha foi decidida em um dia, exceto de Shushan onde foi necessário um dia a mais para decidir o embate.

O ponto fundamental está no capítulo 8, versículo 11: "... em que o rei concedeu aos Judeus que estavam em cada cidade se reunir, e se defender, destruir, matar, e causar a destruição das pessoas e províncias que os atacariam". Eles receberam permissão para atacar seus inimigos, e as palavras "pequeno e mulheres" se referem aos inimigos que pretendiam destruir todo o Povo Judeu.

A tese do Livro de Ester e o anti-semitismo também têm uma perspectiva contemporânea. O estudioso alemão, Prof. Hans Berdteke de Leipzig, escreveu uma interpretação detalhada do Livro de Ester com o intento de remover todas as sutilezas anti-semitas alimentadas pelos padres e leitores cristãos de acordo com a tradução da Meguilá.

Há algum tempo atrás, uma conferência mundial da Igreja protestante aconteceu em Genebra, Suíça, reunindo as igrejas que seguem os ensinamentos de Martinho Lutero. Eles decidiram publicamente que os protestantes de hoje se dissociam do anti-semitismo de Martinho Lutero. Nisto, eles seguem o exemplo da Igreja católica que, em seu Segundo Conselho Ecumênico, publicou um documento que revoga a acusação de deícidio contra os Judeus.

Estas mudanças na perspectiva cristã foram causadas por um lado pelo horror do Holocausto, mas principalmente pela criação do Estado de Israel. Durante mil e seiscentos anos, os cristãos tinham escarneceram os Judeus com a reivindicação que seu exílio era eterno e definitivo. A história mostrou esta atitude ser infundada. A criação milagrosa do Estado Judeu soberano e independente na terra de nossos antepassados, depois de um intervalo tão longo de tempo, foi um golpe contra a teologia cristã. As principais linhas do cristianismo estão começando a modificar posições teológicas que existiram durante séculos.

Com a dissociação do anti-semitismo de Lutero, expresso em particular na sua tradução, e notas do Livro de Ester, o Livro de Ester está sendo aceito como uma história religiosa com tons humanitários, demonstrando que a retidão sempre prevalece sobre o mal.

Autor: Prof. H. Gavriyahu
Fonte: Central Pedagógica da Agência Judaica para Israel
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