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25/Jun/2017
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Festas Judaicas (Chaguim)

Lag Ba'Omer

Quem é verdadeiramente um Cabalista?

O dia de Lag BaOmer é também o da festa da sabedoria da Cabalá. O povo judeu relembra o falecimento de Rabi Shimon bar Yochai, autor do Sefer haZohar (Livro do Esplendor). Esta é uma boa oportunidade para tratar do florescimento dos livros cabalísticos em nossa geração. Atualmente, em toda livraria judaica, os livros de Cabalá e mística ocupam um lugar de destaque. Toda obra cujo título inclua a palavra "Cabalá" tem sua venda aumentada. Cursos e faculdades para o estudo da Cabalá são muitos difundidos. Toda uma indústria de bênçãos, talismãs, água santificada e fitas vermelhas faz circular milhões de dólares. Tudo isso tem realmente um valor verdadeiro?

É surpreendente descobrir o quanto as pessoas estão dispostas a ser ingênuas. Ninguém vai a um médico sem antes se certificar de que ele é um bom profissional. Uma propaganda no jornal de uma oficina mecânica desconhecida não atrairá muitos clientes. Porém, no campo da mística, é suficiente que alguém escreva em seu cartão de visitas a palavra "cabalista" para que as multidões afluam. Há pessoas que não aplicarão um só centavo em investimentos que não sejam totalmente seguros. No entanto, até mesmo elas se apressarão em gastar dinheiro e comprar um livro de um autor cabalista, sem jamais ter examinado a seriedade de seus conhecimentos cabalísticos.

Na realidade, não existe uma sabedoria que possa servir de alvo mais fácil para o embuste do que o conhecimento cabalístico. Pouquíssimas pessoas entendem a fundo do assunto, de modo que é muito fácil fazer colocações numa palestra sem que alguém proteste. Ademais, a Cabalá está escrita em "códigos" especiais. Rabi Shimon bar Yochai quis ocultar esta sabedoria, escrevendo-a de tal modo que apenas quem conhece o código verdadeiro poderá compreender realmente as coisas. Conceitos como as dez sefirot, as "cascas", a emanação, etc. ? só serão compreensíveis para aquele que tiver recebido a explicação correta de um cabalista autêntico. Por conseguinte, é possível afirmar qualquer coisa "em nome do Livro do Zohar?. é possível dizer toda e qualquer idéia que venha à cabeça, em nome de cada trecho do Zohar. Isso se assemelha a uma carta codificada: existe um único código verdadeiro, por intermédio do qual ela poderá ser decifrada. Ao usá-lo, revela-se o que o seu autor realmente queria dizer. Um charlatão poderá inventar um código alternativo e dizer para pessoas ingênuas coisas totalmente diferentes das escritas na carta. Para o falso cabalista é deveras fácil "mostrar no Zohar" tudo o que lhe aprouver.

Infelizmente, pode-se afirmar que, hoje, a maior parte daqueles que aparentam falar em nome da Cabalá nada mais são que embusteiros, que ganham dinheiro às custas da ingenuidade alheia. Parte deles deixa, inclusive, crescer sua barba e usa vestes rabínicas, fazendo-se passar por religiosos.

Como poderemos saber quem é o autêntico cabalista? De que maneira verificaremos a veracidade dos seus conhecimentos?

1. Podemos examinar, com relativa facilidade, seus conhecimentos de Guemará e Halachá. Quem não sabe calcular quanto é 1+1, certamente nunca poderá ser um professor de matemática. Do mesmo modo, a sabedoria da Cabalá é um conhecimento muito profundo e elevado do Judaísmo. É absolutamente impossível atingí-lo sem conhecer a fundo o primeiro estrato da Torá. Quem não é muito versado na Guemará e nas codificações rabínicas, é incapaz de interpretar qualquer uma das normas do Shulchan Aruch e, por conseguinte, de entender adequadamente a Cabalá.

2. Existe uma diferença fundamental entre a Cabalá e outras sabedorias. Nestas, é suficiente ler e estudar o texto para dominar bem o assunto. Não se atribui nenhuma importância ao nível moral do indivíduo, mas apenas ao quanto ele investe na leitura e no estudo. Isso não ocorre no caso da Torá e, especialmente, da Cabalá. Trata-se de um conhecimento extremamente profundo, que nunca poderá ser compreendido apropriadamente sem a ajuda especial de Hakadosh Baruch Hu. Não é uma mera coletânea de conhecimentos, mas uma forma de pensamento. Podemos ler o Zohar na íntegra sem nada entender corretamente. Somente aquele que cumpre a vontade de Hakadosh Baruch Hu e observa seus preceitos terá o privilégio de receber esta ajuda divina.

Podemos, portanto, verificar até que ponto o cabalista observa os preceitos religiosos judaicos, bem como seu nível moral. Quem não guarda o Shabat ou cumpre a mistsvá da cashrut adequadamente, com certeza nada entende a respeito da Cabalá. Aquele que está cego pelo orgulho e pela ambição de riquezas e de honra terá uma compreensão equivocada da Cabalá. Apenas aquele que se dedica plenamente a cumprir a vontade divina terá a prerrogativa de usufruir da ajuda de Hashem para se tornar um cabalista verdadeiro.

É evidente que um cabalista que se vangloria dos feitos e dos milagres por ele realizados não pode ser considerado autêntico. Quem faz isso não pode ser tido como um "rabino cabalista ? mekubal", e sim um "rabino que recebe ? mekabel ? dinheiro".

3. Mesmo depois de todas estas verificações, devemos averiguar o nível de conhecimento do cabalista com especialistas sérios e renomados. é aconselhável, inclusive, perguntar ao próprio cabalista com que rabino ele estudou, saber se seu mestre é um verdadeiro cabalista e se considera que seu discípulo está apto para ensinar a Cabalá.

O estudo a Cabalá não é algo simples. Na Guemará (Haguigá, 14) conta-se acerca de quatro grandes rabinos que quiseram estudar a Cabalá. Os resultados foram desastrosos. Um deles morreu, outro perdeu sua sanidade mental, o terceiro perdeu a fé e abandonou o Judaísmo. Apenas um, Rabi Akiva, conseguiu tornar-se um cabalista autêntico. O estudo da Cabalá, sem uma orientação apropriada, pode transformar-se num jogo muito perigoso. Vamos fazê-lo com seriedade e com cuidado.

Autor: Rav Bergman
Fonte: Bnei Akiva São Paulo
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