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27/Jun/2016
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Festas Judaicas (Chaguim)

Iom HaSho

A Soluo Final

Hitler estava obcecadamente focado em seu objetivo: a eliminao de todos os judeus do planeta.

At o incio de 1942, os alemes tinham cerca de 9 milhes de judeus sob seu controle (de um total de 11 milhes de judeus que moravam na Europa e Unio Sovitica). E, claramente, era seu plano assassin-los a todos.

Os esquadres de extermnio Einsatzgruppen j haviam metralhado 1,5 milho de judeus, mas este no era um jeito eficiente de matar muitos milhes de pessoas - era muito desorganizado, devagar e gastava muita munio.

Ento os alemes embarcaram numa poltica chamada de "Soluo Final", que foi aprovada numa conferncia em Wannsee, perto de Berlim, em 20 de Janeiro de 1942:

"Ao invs da imigrao, existe agora uma nova soluo possvel para a qual o Fuhrer j deu seu consentimento. Deportao para o Leste. Apesar de ser vista apenas como uma medida interina, esta deciso nos prover com experincia prtica que ser de grande valor quando da implementao da soluo final futura. Durante a implementao prtica da soluo final, a Europa ser varrida do Oeste para o Leste."

Campos de Extermnio

A soluo final - o envenenamento sistemtico em cmaras de gs de milhes de judeus - foi posto em prtica primeiramente pelos lderes da Gestapo, Adolph Eichmann e Reinhardt Heidrich.

Dos 24 campos de concentrao (alm dos incontveis campos de trabalho), seis campos especficos para extermnio foram preparados:

- Auschwitz - onde 2 milhes foram assassinados
- Chelmno - onde 360.000 foram assassinados
- Treblinka - onde 840.000 foram assassinados
- Sobibor - onde 250.000 foram assassinados
- Maidenek - onde 200.000 foram assassinados
- Belzec - onde 600.000 foram assassinados

Auschwitz o mais famoso pois foi onde a mquina mortfera foi a mais eficiente. L, entre 1941 e 1944, 12.000 judeus eram mortos por dia em cmaras de gs. Alm dos judeus, centenas de milhares de outras pessoas consideradas ameaas ao regime nazista, racialmente inferiores ou desvios da sociedade foram tambm assassinados.

Como se o simples assassinato de milhes judeus a sangue frio no fosse suficiente, ele foi feito com extrema e perversa crueldade.

As vtimas eram amontoadas em trens de gado, sem comida ou gua, sem aquecimento no inverno ou possibilidade de realizar suas necessidades fisiolgicas mais bsicas. Muitos nem chegavam aos campos vivos. Os que chegavam vivos ao seu destino tinham as cabeas raspadas, para que o cabelo fosse usado como estofamento. Despidos de qualquer vestimenta, a maior parte era levada nua, como rebanho, para as cmaras de gs.

"Experimentos mdicos" bizarros e sdicos foram feitos em muitas vtimas sem o uso de anestsicos. Algumas pessoas foram costuradas juntas para se fazer irmos siameses artificiais. Outras foram submersas em gua gelada para testar os limites da resistncia humana.

Os judeus eram humilhados at mesmo depois de mortos. Preenchimentos de ouro eram arrancados das bocas dos cadveres. Em algumas ocasies fazia-se sabo da gordura de seus corpos, e abat-jours com suas peles.

Alguns ainda considerados fortes o bastante, eram usados como fora de trabalho escravo para o esforo de guerra nazista. Com raes mnimas, eram levados at os limites fsicos de seus corpos, e ento mortos, ou mandados aos campos de extermnio.

ESFOROS DE RESISTNCIA

Qualquer tentativa de escape ou resistncia deparava-se com represlias brutais. Por exemplo, em 14 Maro de 1942 um nmero de judeus escapou de um campo de trabalho em Ilja, Ucrnia, e se juntou aos partisans. Em vingana, todos os judeus idosos ou doentes foram assassinados na rua, e novecentos levados para um prdio, onde foram queimados vivos.

O sobrevivente Sam Halpern, do campo de trabalho de Kamionka, explicou: "Eu nunca considerei escapar. No queria causar a morte de outras pessoas por causa de minha deciso."

Apesar disso, em pelo menos cinco campos e vinte guetos houve levantes.

A mais famosa tentativa foi o Levante do Gueto de Varsvia. Em 19 de abril de 1943, os nazistas comearam a liquidao do gueto - isto , o embarque de judeus para Auschwitz - e se defrontaram com resistncia armada.

Mordechai Anielewicz, o lder de 23 anos do Levante do Gueto de Varsvia, escreveu em sua ltima carta (datada de 23 Abril de 1943):

"O que aconteceu est alm dos nossos sonhos mais selvagens. Duas vezes os alemes fugiram de nosso gueto. Uma de nossas companhias resistiu por quarenta minutos, e a outra, por mais de seis horas... No tenho palavras para descrever-lhes as condies em que os judeus esto vivendo. Apenas alguns escolhidos vo resistir; mais cedo ou mais tarde, todo o resto perecer. A morte esta lanada. Nos abrigos em que nossos camaradas esto se escondendo, nem mesmo uma vela pode ser acesa devido falta de ar... O principal : O sonho da minha vida se tornou realidade: Eu vivi para ver a resistncia judaica no gueto, em toda sua grandeza e glria."

Mas no fim, os judeus no foram preos para a artilharia, metralhadoras e tropas alems. (Compare 1.358 rifles alemes contra 17 entre os judeus). O resultado final foi que o gueto foi inteiramente destrudo, e os que estavam escondidos nos abrigos foram queimados vivos.

SEM PRECEDENTES

A tentativa nazista de deliberada e sistematicamente eliminar um povo inteiro do planeta foi sem precedentes na histria da humanidade.

Hitler visava os judeus por uma razo especfica, que no era somente racial. A eliminao dos judeus tinha um 'status' nico no plano mestre de Hitler. Enquanto ele certamente matou milhes de outros (ciganos, homossexuais, etc.), ele fazia excees para todos esses grupos. O nico grupo para o qual no houve excees foi o dos judeus - todos devia morrer.

Escreve Lucy Dawidowicz em "War Against the Jews":

"A soluo final transcendia os limites da experincia histrica moderna. Nunca antes na histria moderna um povo tinha feito da morte de outro a realizao de uma ideologia, cujos meios perseguio eram idnticos aos fins. A histria tem, certamente, terrveis massacres e destruies que um povo perpetrou contra outro. Mas todos, embora cruis e injustificveis, foram intencionados para atingir fins instrumentais, sendo meios para fins, e no fins por si s."

Em outras palavras, a eliminao dos judeus no era meio para um fim. Era o prprio fim. O que era este fim, o prprio Hitler explicou em seus escritos e discursos.

Hitler entendia que antes da viso tica judaica, o mundo operava como uma selva.

Hitler acreditava que antes do surgimento do monotesmo e da viso tica judaica, o mundo operava de acordo com as leis da natureza e evoluo: sobrevivncia dos mais fortes. O fortes sobreviviam e os fracos pereciam. Mas num mundo operado de acordo com um sistema tico divinamente ditado - onde um padro dado por D'us se aplicava - os fracos no precisariam temer os fortes. Segundo a viso de Hitler, os fortes estavam castrados, e ele culpava os judeus por isso.

Seu plano era conquistar o mundo e coloniz-lo com uma raa brbara mestre - um plano que ele chegou muito perto de executar. Mas para faz-lo, deveria se livrar dos judeus primeiro. Como ele disse:

"Os 10 Mandamentos perderam sua validade... Conscincia uma inveno judaica. to abominvel quanto a circunciso... A batalha pelo domnio do mundo lutada inteiramente entre ns: entre os alemes e os judeus".
(Veja Hermann Rauschning, 'Hitler Speaks', pgs. 220, 242)

Tudo em sua mquina de guerra estava organizado para este objetivo. No fim, quando os aliados estavam destruindo o exrcito alemo, ele no estava mais to incomodado pela derrota como estava pelo fato que de que ainda havia judeus vivos.

Ele desviou trens que eram extremamente necessrios para transportar mais soldados para o fronte russo, onde estava perdendo a guerra, apenas para enviar mais judeus a Auschwitz. Para ele, o maior inimigo era o judeu.

A ltima coisa que disse, antes de cometer suicdio em seu bunker em 30 de Abril 30 de 1945 foi para lembrar que a luta continuaria contra o maior inimigo da humanidade - os judeus. Seu ltimo despacho dizia:

"Acima de tudo, eu imponho aos lderes da nao, e aos seus subordinados que sustentem as leis raciais para se opor impiedosamente ao envenenador universal de todos os povos, o Judasmo Internacional".

CONTEXTO HISTRICO

importante notar aqui que o anti-semitismo que guiou os nazistas a minimizar o mal que causaram no foi um fato isolado. No era nem mesmo a filosofia pessoal de Hitler.

Vale lembrar que foi um dos maiores pensadores alemes do sculo 19 - Wilhelm Marr - que cunhou o termo "anti-semitismo". Ao faz-lo, ele queria distinguir o dio aos judeus como membros de uma religio (anti-Judasmo) do dio aos judeus como membros de uma raa / nao (anti-semitismo). Em 1879, ele escreveu um livro chamado A Vitria do Judasmo sobre o Germanismo, um grande best-seller; nele, Marr avisava:

"No h como par-los [os judeus]. No existem sinais claros de que o crepsculo dos Judeus est se iniciando? No. O controle judaico da sociedade e poltica, assim como seu domnio sobre o pensamento religioso e eclesistico ainda est nos primrdios de seu desenvolvimento. Sim, atravs da nao judaica a Alemanha ser uma potncia mundial, uma nova Palestina ocidental. E isso no acontecer atravs de uma violenta revoluo, mas atravs da aceitao do povo. No devemos repreender a nao judaica. Ela lutou contra o mundo ocidental por 1.800 anos e finalmente o conquistou. Fomos vencidos. Os judeus chegaram tarde em seu ataque Alemanha, mas uma vez que comearam, no h como par-los...

Estou organizando minhas ltimas foras para morrer em paz como algum que no ter se rendido e no pedir por misericrdia. O fato histrico de que Israel se tornou uma superpotncia social e poltica no sculo 19 est perante ns. Temos entre ns uma tribo estrangeira flexvel, obstinada e inteligente, que sabe como trazer a realidade abstrata tona de muitas maneiras distintas. No os judeus individuais, mas o esprito e a conscincia judaicos superaram o mundo. Tudo isso conseqncia de uma histria cultural to nica em seus meios, to grandiosa, que a polmica do dia-a-dia nada pode contra ela. Com toda a fora de seus exrcitos o orgulhoso Imprio Romano no conseguiu o que o semitismo conquistou no Ocidente, e particularmente na Alemanha".

Tenha em mente que, quando Marr escreveu essas palavras, o Estado de Israel no existia, e no havia nenhum indcio na situao geopoltica da poca de que passaria a existir em nenhum momento prximo daquele. Marr, ao falar da ameaa nacional judaica, estava falando da grande batalha ideolgica da viso de mundo judaica contra o paganismo, que havia estado em jogo ao longo da histria judaica. Vimos ela entre os gregos e os judeus, e entre os romanos e os judeus.

Hitler via a continuao como uma batalha entre judeus e alemes.

LUZ PARA AS NAES

O entendimento de Hitler do papel dos judeus no mundo no era distorcido. Era, de fato, o tradicional entendimento judaico. Quando os judeus aceitaram a Tor no Monte Sinai, se tornaram o povo eleito, cujo papel e responsabilidade era trazer um cdigo de moralidade divino para o mundo. Eles deveriam ser "a luz para as naes", nas palavras do Profeta Isaias.

E a isso que Hitler quer dar um fim, porque para ele, enquanto houvesse mesmo uns poucos judeus no planeta, eles continuariam a misso de D'us:

"Se apenas um pas, por qualquer motivo que fosse, tolerasse uma famlia judaica, esta famlia seria o centro germinador de um novo tumulto. Se um garoto judeu sobrevivesse, mesmo sem nenhuma educao judaica, sem sinagoga e nem escola judaica, o Judasmo estaria ainda assim em sua alma. Mesmo se nunca tivesse existido uma sinagoga ou escola judaica ou o Antigo Testamento, o esprito judaico ainda existiria e exerceria sua influncia. Sempre esteve desde o comeo, e no h nem um nico judeu que no o personifique."

(Hitler's Apocalypse, por Robert Wistrich, pg. 122)

Quando vemos isso por essa perspectiva, temos uma viso completamente diferente do Holocausto. O Judasmo tradicional diz que parte da ltima batalha entre o bem e o mal, que tem ocorrido desde o incio dos tempos.

LIBERTAO

No fim, Hitler no foi bem sucedido no seu plano de eliminar completamente os judeus. Ele foi bem sucedido, entretanto, no assassinato de mais de um tero da populao judaica mundial e em ensinar ao mundo o significado do mal.

Quando os exrcitos Aliados (Russos do Leste e Americanos e Ingleses do Oeste) liberaram os campos ao fim da guerra, eles depararam com cenas de inimaginvel terror.

Os filmes feitos pelas foras aliadas ao entrarem nos campos eram to terrveis, que no foram divulgados publicamente por vrios anos.

A libertao no acabou com as mortes dos judeus.

Apesar dos esforos aliados em salv-los, muitas vtimas pereceram aps a libertao, por fraquezas e doenas. No campo de Belsen, 13.000 morreram depois da chegada dos libertadores ingleses.

Alguns dos que sobreviveram encontraram a morte nas mos de partisans no-judeus ou camponeses, quando eles saram dos campos. Alguns tentaram voltar a suas casas antigas, mas no encontravam nada, ou havia outros moradores que se opunham a volta dos proprietrios originais.

A morte total era inimaginvel

Intencionalmente usando nmeros baixos, e provavelmente sobre estimando, Sir Martin Gilbert (em seu trabalho sobre o Holocausto) encontrou que pelo menos 5.950.000 judeus foram assassinados entre 1939 e 1945.

Este nmero representa aproximadamente metade de toda a populao judaica da Europa.

Os judeus da Europa Ocidental haviam sido virtualmente eliminados.
Mas enquanto o Holocausto trouxe um fim para a comunidade judaica da Europa Oriental, trouxe tambm - de forma indireta - o renascimento da Terra de Israel como Estado Judeu pela primeira vez em 2.000 anos, se tornando o maior refgio para os judeus na modernidade.

Autor: Rabbi Ken Spiro
Fonte: Aish HaTorah
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